Navalha na Carne estreia na 39º Campanha de Popularização do Teatro e da Dança

O espetáculo Navalha na Carne, interpretado pelo Grupo Confesso, volta aos palcos a partir do dia 04 de fevereiro, durante a 39º Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. Escrita por Plínio Marcos, o espetáculo juntamente com o grupo, ganhou a crítica cultural belorizontina e firmou raízes no cenário teatral mineiro.

ImageSob a direção de Guilherme Colina, o texto original, escrito em 1967, se passa em um quarto de bordel, onde a prostituta Neusa Sueli, o cafetão Vado e o homossexual Veludo, empregado do estabelecimento, encarnam uma existência marginalizada  no submundo. Para fazer uma nova roupagem à trama, a história se passa em uma casa de shows, onde os atores se interagem com o público, a ponto de sentir de perto sua respiração.

Na trama, a prostituta Neusa Sueli (Clébia Vargas) enfrenta a desconfiança do cafetão Vado (Alex Valle) a respeito do sumiço do pagamento da viração. Um desentendimento com o homossexual Veludo (Guilherme Colina) na casa de shows onde trabalham detona o conflito. Os personagens se dedicam a uma contínua disputa pelo domínio sobre o outro: vão da força física à chantagem pela auto-piedade, da sedução à humilhação. O espetáculo acontece no Espaço Cultural Oratório Bar, no bairro Santa Efigênia.

Segundo Guilherme Colina, “estrear  na campanha como diretor e com um peça densa me causa um pouco de ansiedade, mas também uma alegria por poder trazer uma reflexão acerca da vida. Na campanha os espetáculos de comédias e clássicos são unidos num mesmo festival e é uma maneira de ‘unir esforços’ para promover o teatro em nossa cidade”.

 Espetáculo Navalha na Carne                                                                              

Dias: 04/02 a 26/02 (Seg. e Ter.) 20h30 – Exceto 11/02 e 12/02

Local: Espaço Cultural Oratório Bar – Av. Brasil, 161 – Santa Efigênia

Valor: 12,00

Gênero: Drama

Classificação: 16 anos

Elenco: Alex Valle, Clébia Vargas, Raposa Lopes e Guilherme Colina

Iluminação: Heron Loreto

Coreografia e prep. corporal: Dougas Gonzales

Informações: (31) 3223-1241

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Navalha na Carne – Fotografias

O espetáculo Navalha na Carne, de autoria de Plínio Marcos (1967), se passa em um quarto de bordel, onde a prostituta Neusa Sueli, o cafetão Vado e o homossexual Veludo, empregado do estabelecimento, encarnam uma existência marginalizada  no submundo. Sob a direção de Guilherme Colina,  a nova roupagem dada à trama, se passa em uma casa de shows, onde os atores se interagem com o público, a ponto de sentir de perto sua respiração. Confiram algumas fotos, em alta resolução, dessa trama envolvente que retorna aos palcos em fevereiro:

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Fotos: Januária Vargas

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Mesmo diante de tanta aridez, acidez e realidade insultante, sempre que recordo dessa produção teatral Navalha na Carne, sob direção do Guilherme Colina, vem a mente versos sublimes de Fernando Pessoa. Contradição? Inversão. Talvez não.

É que acompanhei o embrião dessa história. E Vi Alex Valle fazendo suas primeiras leituras do texto, sondando o terreno, moldando esse quadro. E vi também Clébia Vargas sendo abduzida para o papel de Neusa Sueli. Papel marcante daqueles que traçam antes e depois na vida de uma atriz. É o que senti.

É por isso mesmo lembro de Pessoa: “navegar é preciso, viver não é preciso.” E eles navegaram em mares revoltos e se entregaram. Foi preciso. E eles se machucaram de corpo e alma. E sei que ninguém sai indiferente do que vê em cena. Pois retrata a dor, carência, medo da solidão de prostituta que nega sua idade por temer sua decadência na difícil vida fácil. E mostra a fúria, podridão, sedução-seduzido do cafetão indigesto tão presente entre nós. Isso sem falar no atrevimento arrogante, malandro esperto, o michê interpretado por Guilherme.

O cenário reproduz o ambiente desse submundo, da Bonfa, do baixo meretriz que muitos freqüentam, imaginam, visitam. E nós de mero expectadores passamos a ser participantes, coadjuvantes desse mundo, entre uma pinga e outra.

Então retorno a Fernando Pessoa: o poeta é um fingidor/ e finge tão completamente/ que chega a fingir que é dor/ a dor que deverás sente. E os outros ao verem se sentem bem./ Não pela dor que eles sentem, mas pela dor que eles não tem.

Saímos todos doloridos e com a alma lavada. Clébia pelo realismo de Alex, leva hematomas na pele, de verdade. Alex confunde sentimentos seus com o do Vado e Guilherme no final tem lágrimas nos olhos, coração em sobressalto ao agradecer a platéia. E nós saímos sobretudo, daquele cabaré imaginário com o sentimento de Drumond: Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação.

Por: Luciana de Melo Borges – Jornalista

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Neusa Sueli e sua voluptuosa dança

Neusa Sueli é uma prostituta “cansada de guerra”, veterana, quente. Mas mesmo demonstrando uma volúpia envolvente em sua dança, seu olhar demonstra seus sonhos desvanecidos, seu desamparo e dor. Para Clébia Vargas, atriz que a interpreta, “a Neusa Sueli é um personagem intenso, que entrou fortemente em minha vida. As cenas são perto do público, cara-a-cara com o público e por isso é preciso ter muita concentração para conseguir interpretar cenas tão envolventes dentro daquele cenário de bar decadente”, declara.

 O vídeo produzido pela Cake Filmes, em um bordel de Belo Horizonte, mostra a dança dessa personagem tão ambígua, que por fora movimenta seu corpo com prazer; mas pelo seu olhar, dá para sentir que por dentro, possui um ar de menina triste, que sonha em fugir daquele submundo.

 

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Grupo Confesso volta com o espetáculo Navalha na Carne

Para expectativa de muitos amantes do teatro, o Grupo Confesso, de Belo Horizonte, volta a apresentar o espetáculo Navalha na Carne, de Plínio Marcos, a partir do dia 20 de julho. Após a 1ª temporada da trama, no mês de fevereiro, o espetáculo, juntamente com o grupo, ganhou a crítica cultural belorizontina e firmou raízes no cenário teatral mineiro.

Sob a direção de Guilherme Colina, o texto original, escrito em 1967, se passa em um quarto de bordel, onde a prostituta Neusa Sueli, o cafetão Vado e o homossexual Veludo, empregado do estabelecimento, encarnam uma existência marginalizada  no submundo. Para fazer uma nova roupagem à trama, a história se passa em uma casa de shows, onde os atores se interagem com o público, a ponto de sentir de perto sua respiração.

Foto: Felipe Messias

Na trama, a prostituta Neusa Sueli (Clébia Vargas) enfrenta a desconfiança do cafetão Vado ( Alex Valle ) a respeito do sumiço do pagamento da viração. Um desentendimento com o homossexual Veludo (Guilherme Colina) na casa de shows onde trabalham detona o conflito. Os personagens se dedicam a uma contínua disputa pelo domínio sobre o outro: vão da força física à chantagem pela auto-piedade, da sedução à humilhação. O espetáculo acontece no Espaço Cultural Oratório, no bairro Santa Efigênia.

Segundo o diretor Guilherme Colina, a proposta do Grupo Teatral Confesso é promover movimentos artísticos paralelos e em conjunto com os já existentes na cidade. “Queremos fomentar esse novo Espaço Cultural Oratório,  para que ele seja mais que uma casa de espetáculos na capital. Ministrar oficinas gratuitas de teatro, descobrir novos artistas, promover intercâmbios entre grupos, debates culturais, políticos e principalmente dar oportunidade para quem está começando”, declara.

 

Espetáculo Navalha na Carne                                                                              

 Dias: 20,21,26 e 27 de julho

03,04,10 e 11 de agosto às 20h30

Local: Espaço Cultural Oratório – Av. Brasil, 161 – Santa Efigênia

Valor: 12,00

Informações:  (31) 8718-5498

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Vídeo-release Navalha na Carne

Confiram o vídeo-release da peça Navalha na Carne, com curiosidades e entrevistas do elenco e de quem fez parte da trajetória da peça!

Roteiro: Fabio Fernandes e Januária Vargas

Entrevistas: Januária Vargas

Imagens e Edição: Fabio Fernandes

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Navalha na Carne

Algumas observações após assistir o espetáculo. 

Autor: Plínio Marcos. Direção: Guilherme Colina. Elenco: Alex Valle, Clébia Vargas, Fernanda Hallais e Guilherme Colina. Coreografia e Preparação Corporal: Douglas Gonzales.

Grupo Confesso – https://grupoconfesso.wordpress.com/

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 “A bailarina e sua prisão invisível”. 

Foto: Januária Vargas

Entravamos para o show de Neusa Sueli, que começou atrasado, na parede lateral do bar enquanto o caminhão de cerveja era descarregado. Mal percebíamos, um pouco angustiados que a ação teatral já começava, bem próxima, ao nosso lado. Personagens e pessoas se misturavam numa ante-sala apertada, enquanto a atriz que chegava, rezava ao seu pequeno santuário. Um ato de fé descabido, já que o futuro perdido, não absolve os pecados.

 Ler a Divina Comédia antes de escrever trouxe um pouco de rima para minhas palavras. Mas até que é conveniente, porque para escrever sobre Navalha na Carne queria voltar um pouco minha experiência para este mundo poético que amo.

 A peça é de uma beleza totalmente crua. Tanto na linguagem textual como no corpo. Não houve muito lugar para metáforas ou elucubrações metafísicas, filosóficas. Nada muito para além. Ao contrário, o que se disse no palco falou da mais imediata e concreta ação física e emoção do personagem. Achei isso maravilhoso, porque senti que aquelas pessoas ali encenadas eram de verdade, não tão distantes de um fato que eu poderia estar observando numa casa de tolerância ou na esquina da minha casa. 

 A peça traz diversos elementos que poderiam ser abordados. Representações e papéis sociais da mulher, relações afetuosas, sexualidade, abuso, prostituição, desejo, conflitos. Mas um assunto em especial me chamou muito a atenção. Minha pergunta fundamental é: Porque aquelas pessoas (não usarei a palavra personagens), simplesmente não iam embora? Tinham uma vida miserável, relações conflituosas, tristeza, agressões. E continuavam ali, um ao lado do outro.

 O desamparo de uma existência sem sentido faz com que se esgotem as possibilidades. As possibilidades sempre existem, mas quando a experiência de liberdade é tolhida a pessoa não é capaz de perceber outras saídas. Então ocorre o que eu chamaria do verdadeiro inferno, a repetição. O inferno não é feito de fogo, muito ao contrário, o inferno é feito de gelo. O congelamento da existência naquela situação fatídica, destruidora, da qual a vida não vai se libertar. 

Neusa já era uma “puta velha” e o que aconteceu nas cenas, não foram novidades. Sua vida toda foi exatamente do mesmo jeito. Com muita verdade e brilhantismo, os atores foram capazes de repetir cenicamente o inferno daquela prostituta. 

Foto: Felipe Messias

Embora eu pense que cada uma dessas pessoas também estava vivenciando o seu inferno próprio, Neusa me trouxe mais claramente a situação do desamparo e desespero existencial. A única saída que enxergou foi submeter-se à exploração em troca de migalhas de atenção falsamente afetuosa. Mas o que importa? É melhor ganhar as migalhas lambidas da sola do pé de um cafetão, do que assumir o risco de estar sozinha no mundo, sozinha com suas próprias possibilidades e incertezas. Sozinha.

 Aquela bailarina da caixinha de música é a Neuza. Uma bailarina feita de plástico, imóvel, rígida, congelada no seu inferno. Ela não dança. Ela gira e gira, somente quando alguém lhe dá corda. Tem seus pés feitos de imã, presa ao magnetismo invisível que o medo da solidão lhe impõe. Só lhe resta esperar a música acabar e morrer. 

A peça é um inferno para o qual vale a pena retornar, enquanto faço parte do público que assiste, claro.

 

Por:  Fabio Teixeira 

www.fabiozen.blogspot.com

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Estreia de Navalha na Carne emociona o público

“‘Navalha na Carne’.  Entre por um portão de ferro vazado. Vasculhe com o olhar um ambiente, de quatro cômodos, oculto e enigmático onde tudo acontece em nome do sexo, cafajestagem e amor bandido. Uma história longe das nossas, em sua grande maioria, mas que retrata com maestria a vida fácil de uma prostituta cansada de guerra”, Kinkas Costa – escritor

Foto: Felipe Messias

O Espaço Cultural Oratório foi palco, na noite da última segunda-feira, 6, de uma trama cativante, carregada de emoções e da realidade presente no submundo com a estréia da peça Navalha na Carne, de Plínio Marcos. Luzes fracas, numa penumbra envolvente, completam o tom da dramaticidade juntamente com o aroma do ambiente e das flores artificiais que decoram a casa de shows, onde é encenada a peça.

Um emaranhado de sentimentos se proliferam com a encenação dos atores e com a reação do público diante do peso das falas, gestos e veracidade dos personagens. Sensualidade, paixão, ódio, tristeza e dor são encenados em aproximadamente uma hora de espetáculo, que passam despercebidos, pois os sentimentos atrelados com o cheiro do ambiente e o peso das cenas envolvidas, tomam conta de todo o teatro. O público se interage na peça e são tidos como os atores daquela trama, os figurantes daquela casa de shows.

O diretor Guilherme Colina, que interpreta o homossexual Veludo, transmite um leve tom cômico diante da raiva presente na prostituta Neusa Sueli (Clébia Vargas) – de uma sensualidade que se contrapõe à sua dor e aos seus sonhos desvanecidos – e ao ódio e arrogância do cafetão Vado (Alex Valle), do qual Neusa sofre constantemente por uma paixão ardente e de repúdio. Para completar, Fernanda Hallais encanta o público com sua voz suave, um misto entre menina e mulher num clima repleto de mistério.

Foto: Januária Vargas

“Gosto de assistir espetáculos onde há risco. Os atores ficam em risco. Risco de cair, de se ferir, de não voltarem de sua viagem… Tensão! Crueza. Visceralidade. Tudo isso me arrebata”, declara o ator Fernando Veríssimo.

Navalha na Carne surpreende e envolve. Faz com que as pessoas reflitam seus atos, seus comportamentos. Seu pessimismo que diante da dor de Neusa Sueli é uma faísca, uma pequena poeira na imensidão. É mais que uma peça de teatro. É de arregalar os olhos de quem assiste e até mesmo arrancar-lhes as lágrimas.

Por: Januária Vargas

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Navalha na Carne

Foto: Felipe Messias

Sob a direção de Guilherme Colina, o Grupo de Teatro Confesso estréia o espetáculo Navalha na Carne, de Plínio Marcos, dia 6 de Fevereiro. Originalmente, o espetáculo se passa em um quarto de bordel, onde a prostituta Neusa Sueli, o cafetão Vado e o homossexual Veludo, empregado do estabelecimento, encarnam uma existência marginalizada  no submundo . A montagem, anteriormente proibida pela Censura, na seqüência ganha repercussão na capital mineira. Com uma releitura, em que o diretor transpõe o espetáculo para uma casa de show, Guilherme Colina afirma que “um texto não diz tudo, ele vai até certo ponto, depois disso fica a cargo do encenador”. O espetáculo acontece no Espaço Cultural Oratório, situado à Rua Álvares Maciel 190 , no bairro Santa Efigênia.

Escrito em 1967, o drama é um dos mais explorados no teatro nacional , desta vez, ganha uma pungente encenação mineira que prioriza o realismo característico do autor santista. Na trama, a prostituta Neusa Sueli (Clébia Vargas) enfrenta a desconfiança do cafetão Vado ( Alex Valle ) a respeito do sumiço do pagamento da viração. Um desentendimento com o homossexual Veludo (Guilherme Colina) na casa de show onde trabalham detona o conflito. Indo além do universo do dramaturgo, o diretor Guilherme Colina traz uma contemporaneidade além daquela que os personagens já têm, e o cenário, que transforma o espaço em um bar decadente, tira e põe a quarta parede como se fosse um joguete do destino e o público fica cara a cara com o ator a ponto de sentir sua respiração.

Foto: Felipe Messias

 

 A peça pode ser vista como uma metáfora dos mecanismos de poder entre as classes sociais brasileiras, uma vez que as personagens, embora pertençam ao mesmo extrato social, se dedicam a uma contínua disputa pelo domínio sobre o outro. Nessa disputa, as personagens vão da força física à chantagem pela auto piedade, da sedução à humilhação, da aliança provisória entre dois na tentativa de isolar o terceiro, mas a possibilidade de juntar suas forças para lutar contra a situação que os oprime nunca é cogitada.

Segundo o diretor Guilherme Colina, a proposta do Grupo Teatral Confesso é promover movimentos artísticos paralelos e em conjunto com os já existentes na cidade .“ Queremos fomentar esse novo Espaço Cultural Oratório,  para que ele seja mais uma casa de espetáculo e performance para a capital , ministrar oficinas gratuitas de teatro, descobrirmos novos artistas, promover intercâmbios entre grupos, facilitando a vinda de espetáculos de outras cidades e de grupos que estão começando, promover debates culturais e políticos, criar redes com movimentos artísticos da comunidade e principalmente dar oportunidade para quem está chegando”, acrescenta Guilherme.

Estréia – Navalha na Carne

06, 07, 08, 13, 14, 15, 27, 28 e 29 de fevereiro às 20h

Local: Espaço Cultural Oratório – Avenida Brasil, 161 – Santa Efigênia
Belo Horizonte/MG

Valor: 10,00

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